Feb 23, 2011

Getz/Gilberto

A experiência de tocar Bossa Nova com músicos brasileiros deu-lhe [Stan Getz] um susto. Em Jazz Samba, por exemplo, usara dois bateristas americanos, Buddy Deppenschmidt e Bill Reichenbach, e eles pareciam sofrer de lumbago, em comparação com o balanço e elasticidade que Milton Banana, sozinho, produzia. Mas nem sempre os dois astros que assinavam o disco se tratavam com esta maciez. Quanto mais aos sussurros João Gilberto queria cantar, mais Getz insistia em soprar como se tivesse foles gigantes no lugar de pulmões ou como se o microfone fosse surdo. (No futuro, João Gilberto se queixaria também de que Getz reequalizou o disco e fez seu saxofone soar ainda mais alto, para ficar o tempo todo em primeiro plano.) Os dois também não chegavam a um acordo quanto à escolha do take definitivo entre os vários gravados para cada canção, e Creed Taylor era obrigado a desempatar.

Ruy Castro, em Chega de Saudade (1990)

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