Rodrigo Levino, na Veja.comO último espasmo criativo do compositor [Chico Buarque] se deu em 1993, no disco Paratodos. Canções como aquela que dá nome ao disco, além de Sobre Todas as Coisas e Futuros Amantes, se impõem sobre as que viriam depois, nos discos As Cidades, de 1998, e Carioca, de 2006.
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Composto ao longo de cinco meses e gravado em um, Chico, o disco que sai agora, tem dez canções de curta duração que são, juntas, um simulacro chinês do Chico Buarque de antes. As músicas renunciam ao rádio e muitas vezes recaem no rococó e no maneirismo - que são formas viciadas de lidar com a tradição.
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Ao todo, 45.000 cópias de Chico estarão nas lojas este fim de semana. É quando o público vai se deparar com versos ruins (“amar uma mulher sem orifício”), pretensiosos (“trouxe um porrete a mó de me quebrar / mas eu não quebro porque sou macio”) e bobos (“meu cabelo é cinza/ o dela é cor de abóbora”, feito para a namorada, Thais Gulin). Os arranjos soporíferos, a cargo de Luiz Claudio Ramos, em nada melhoram o leque de ritmos que vai da marchinha de coreto (Rubato) ao baião (Tipo um Baião), passando pelo samba (Sinhá, parceria com João Bosco) e a valsa (Se Eu Soubesse). Em resumo, um trabalho sem jovialidade, retrato de um ocaso criativo que infelizmente parece irreversível.